O MENINO DO PALÁCIO DO DRAGÃO

DISCURSOS DE SIDDHARTHA –  MENINO DO PALACIO DO DRAGÃO

“O Menino do Palácio do Dragão” – Neste discurso, Siddhartha faz uma interpretação alegórica desta história das tradições sufi, que fala sobre um vendedor de flores que vivia uma vida modesta, até que determinado dia sua vida mudou.

Esta história linda mostra a o homem é preso em seus desejos.

Siddhartha é uma declaração de liberdade… Ele ensina o caminho da meditação, da totalidade, da presença e da verdade. Indica o despertar para uma vida livre,  sem limites apenas saboreando o aqui e o agora a cada instante.

A HÍSTORIA

O Menino do Palácio do Dragão

Era uma vez, num país distante, um pobre vendedor de flores. Todos os dias ele colhia as flores, descia até o vale e atravessava um rio para chegar à cidade, onde vendia sua colheita. No fim da tarde, ao voltar para casa, atravessava novamente o rio e atirava na corrente os botões não vendidos.

Um dia, devido a fortes chuvas, o rio havia subido de tal forma e tão violenta era a torrente que era impossível cruzá-lo. O vendedor ficou parado, sem saber o que fazer, quando avistou uma tartaruga que veio em sua direção e se ofereceu para transportá-lo. Tão logo ele subiu no casco da tartaruga ela nadou velozmente, submergindo nas profundezas do rio.

O Palácio do Dragão

Em poucos momentos chegaram a um estranho palácio. Era o palácio do dragão, a morada do senhor da água. Lá, uma linda princesa os aguardava. Ela saudou calidamente o vendedor e agradeceu-lhe pelas flores tão bonitas que as águas do rio todos os dias lhe traziam. Ela o recebeu com um suntuoso banquete, ao som de delicadas melodias e com graciosas danças de peixes. Encantado, o vendedor permaneceu ali por um longo tempo.

Finalmente o deleitado hóspede decidiu que deveria voltar para casa. Quando se despediu da princesa, esta mandou vir à sua presença um menininho maltrapilho.

– Por favor – disse ao florista, – cuide deste menino e ele fará com que seus desejos se tornem realidade.

Voltando para casa

Quando voltou para casa, acompanhado do menino, o vendedor de flores se deu conta da pobreza de sua cabana. Recordando-se das palavras da princesa, pediu ao menino um novo lar. O menino, então, bateu palmas três vezes e transformou a cabana em um maravilhoso palácio, esplendidamente mobiliado.

O tempo passou e o vendedor esqueceu-se de sua origem humilde, exigindo mais e mais luxos; em breve, transbordava de riquezas. Em um ambiente tão rico, o homem começou a achar que o menino maltrapilho estava fora de seu lugar. Pediu-lhe então que trocasse as suas roupas por outras mais bonitas. Porém, dizendo que era feliz daquele jeito, o menino se negou a fazê-lo e continuou usando os seus andrajos.

O poço dos desejos sem fim

Finalmente, o vendedor convencido de que possuía tudo aquilo que poderia desejar, sugeriu ao menino que regressasse para o palácio do dragão. Este se recusou a voltar. Porém, ao ver o vendedor tão contrariado, concordou e deixou-se levar até o rio.

Suspirando com alívio, por ter conseguido livrar-se do menino, o homem voltou ao seu palácio. Mas, para seu total assombro, o palácio havia desaparecido por completo. Ele estava novamente em sua humilde cabana, vestido com as mesmas roupas que usava quando era um pobre vendedor de flores, muito tempo atrás. Nervoso e percebendo o seu erro, correu em direção ao rio chamando o menino.

Mas o menino também havia desaparecido.

 

Histórias da Tradição Sufi, p.24

Extraído dos discursos de Siddhartha sobre as hístorias das tradições Sufi.

 

FICHA TÉCNICA  – DISCURSOS DE SIDDHARTHA

Música:  Flauta – Siddhartha / Edição e Mixagem – Gusta Proença

Vídeo: Gravação – Aiyshah Dadam / Edição – Aiyshah Dadam

Duração: Tempo total – 14:38 minutos.

Gravado: Realizado na sede da Delphis Universalis  Curitiba – setembro de 2016 – Durante o retiro “Centro de Gravidade Permanente

Voz: Leitura Texto – Aiyshah