Siddhartha responde

Esse é um espaço onde você poderá desfrutar dos ensinamentos de Siddhartha por meio das respostas as perguntas feitas a ele que não foram filmadas. Boa leitura!

Siddhartha, disseram-me que antes da meditação seria necessário fazer uma limpeza emocional. Foram-me sugeridos muitos tipos de terapias. Qual você me aconselha fazer?

Resposta do Siddhartha

O que te aconselho fazer?! Nada!!! ... ...
Terapias, limpezas emocionais e mentais podem até ser úteis, mas sem meditação, UM corre o risco de se perder no submundo da vítima e nunca estar pronto para sair dele. Terapia não passa de “gozo”, algo periférico. Meditação é “orgasmo”, algo profundo. Terapia sem meditação a nada serve. Meditação sem terapia é completa.

Eu vos digo: “Meditem, e logo verão aquilo que é ou não é real!” Não perca tempo tentando chegar ao ponto certo para começar a praticar. Esta é a hora, este é o momento certo, você está maduro como uma fruta que espera ser colhida. A hora é agora!

Respostas as Perguntas Delphis – 2008 |Meditação - O Caminho do Despertar

Swamiji, é muito difícil meditar!
Quando sento em meditação têm dias que alcanço um estado de graça tão grande que sinto o meu corpo flutuando no céu.
Em outros dias, sinto-me no inferno. Com isso, fico frustrada. O que fazer?

Resposta do Siddhartha

O enfoque da prática da meditação não é alcançar nem o paraíso nem o inferno, mas celebrar a neutralidade do aqui e agora.

Se sentar buscando um estado de graça, pode viajar em um dos milhões de pensamentos e alcançar aquilo que define de “paz” ou, dependendo da atividade mental naquele momento, poderá encontrar-se no abismo do inferno.

Nenhum destes estados é verdadeiro.

Os pensamentos em si são paraíso e inferno. Meditação não é nem um nem outro.

Hoje em dia, a vida é tão caótica e a presença de pensamentos, cada vez mais intensos, que para um meditador, no começo de sua caminhada, é uma cruzada distinguir o que é real do que não é!

Veja resposta completa

Siddhartha o que quer dizer quando fala "Esteja Aberto"?

Resposta do Siddhartha

Quando falo “Esteja aberto!” quero dizer: “Seja receptivo às dádivas do universo do amor, no qual você existe”.
Permita que a existência flua através de você, deixe-a tomar conta de seu corpo e dance nesta energia.
Seja como o gavião, que no céu, se entrega, confia, curte o vôo e ao mesmo tempo tem uma visão clara de tudo que está ao seu redor. Curta cada momento, deixe a vida acontecer, esteja aberto às mudanças, ao seu crescimento, a novos desafios, medite e esteja atento! Viva cada momento como se fosse o último, viva tudo como uma novidade.
Não deixe nada para depois! Abra o seu coração para o novo, não tenha medo, não tente controlar… não há como controlar sua existência! Sem couraças, abra-se para a plenitude consigo mesmo e com a vida. Não seja rígido independentemente, se algo está indo contra a sua formação ou suas crenças.

Não julgue aquilo que não saboreou, ao contrário experimente-o! Como pode saber o que é salgado, se ainda não experimentou o sabor do sal?

Respostas a perguntas – O Caminho 2005 |Oráculo dos Caminhos

Sou católica, sirvo na igreja, participo de um grupo de oração da renovação carismática católica.... Sou temente a Deus, mas não aceito ou não entendo muitas coisas na minha vida... Parece que sempre tá faltando alguma coisa... Tenho muitas perguntas dentro de mim sem respostas... O que devo fazer?

Resposta do Siddhartha

Querida Vanderleia, agradeço a tua pergunta que primeiramente me toca pela coragem e confiança.
Em certos aspectos reflete uma parte de minha caminhada…
Cresci entre a Inglaterra e a Itália, sendo filho de pais italianos. Não fui incentivado a ir para a igreja pelos meus pais que mesmo católicos não costumavam frequentar.

Mas, a partir dos meus sete anos de vida já estava atrás de algo e não tinha a menor ideia do que fosse.
Era um chamado interno, de liberdade, de descoberta, na verdade, de algo que naquele tempo ainda estava pouco claro para mim.

Movido por esta sensação que era mais forte do que minha mente cheguei até a igreja católica, que foi meu primeiro lugar de busca. Passava por lá diariamente, era um dos coroinhas do padre Don Nellusco Carretti e atendia diariamente a missas ao seu lado, aliás virei quase a sombra deste homem lindo.

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Siddhartha, pode me falar a respeito do orgulho?

Resposta do Siddhartha

O orgulho pode ser visto como uma atitude positiva ou como negativa, dependendo das circunstâncias. Ela se molda da maneira que mais lhe convém. Assim, o termo orgulho pode ser empregado tanto como sinônimo de soberba e arrogância, quanto para indicar dignidade.
Para compreender o orgulho é necessário que, primeiro, se compreenda o ego, porque um é condição natural de ser e o outro produto da sociedade que tomou o seu lugar.
Quando você nasceu, veio ao mundo sem conhecimento nenhum, sem consciência do seu EU. A primeira coisa da qual você se tornou consciente quando nasceu não foi de você mesmo, mas sim, do outro. Seus olhos se abriram para o mundo afora, suas mãos alcançaram os outros, seus ouvidos escutaram as vozes e barulhos externos, todos os seus cinco sentidos estavam direcionados para o mundo exterior. Nascimento significa vir para fora, adentrar este mundo.

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O Caminho da espiritualidade sempre foi sinônimo de renúncia.
Quando escolho ser iniciado ao mundo Delphis preciso renunciar ao mundo material?

Resposta do Siddhartha

No passado, este foi o enfoque da vida espiritual, ela foi mais fuga do que entrega. O princípio da Delphis não é a vida espiritual, mas a vida além do espírito.
Entendam que não estou lhes dizendo de renunciar ao mundo! Ao contrário, este mundo é real mesmo que a humanidade está num coma profundo. Continua sendo sua realidade, e para viver no dia de hoje é necessário viver nisto tudo.

Digo-lhes: abandonem seu passado, sua religião, suas crenças… Para que a vida possa lhes acontecer.
Estou lhes dizendo: morram e renasçam até que há tempo.
Estou lhes dizendo: vivam no mundo, mas não sejam parte dele! Não sejam parte do sonho.
A iniciação não é um convite à renúncia, mas ao despertar. Se houver coisas que nas quais agia de maneira automática, deixe-as ir e siga seu caminho.
Respostas as perguntas Delphis – 2007 |Meditação – O Caminho do Despertar

Mestre em uma ocasião você falou que há muito tempo já não respira pelo pulmão, como é isso?

Resposta do Siddhartha

Amada Sanjiita, a humanidade toda deixou de respirar naturalmente! Tornando-se caótica e estressada!
Observe um recém-nascido e verá que na origem a respiração acontece a partir do abdômen e não pelos pulmões.

Quando recebemos as primeiras instruções e regras para começar a ser algo que não somos, a respiração trava e torna-se superficial. Ou seja, sobe para os pulmões. Estes, na verdade, são filtros do ar, mas a bomba que impulsiona o ar para o organismo é o abdômen.

Em seu estado natural o abdômen é o centro de sua energia vital desde o útero materno. Quanto mais a respiração retorna à sua naturalidade, mais relaxada a pessoa se torna, mais plena ela é em seu existir…

O corpo é um mecanismo assim como um automóvel e este não funciona direito quando uma peça está faltando ou não está sendo usada de maneira correta.

Veja resposta completa

Siddhartha a humanidade parece estar louca correndo desenfreadamente atrás de uma vida mais confortável. Movidos pelas crenças desta sociedade. Em tua visão o que deve nos mover neste mundo?

Resposta do Siddhartha

Amado Alcione, a humanidade está louca sim… Longe de sua realidade original. Todos estão correndo atrás de uma ilusão!
Quando chegamos neste planeta, chegamos sem nem sequer um tostão no bolso, mas dinheiro é exatamente o que move esta sociedade. Todos estão freneticamente famintos por pedaços de papel. Todos dispostos a qualquer loucura!

Para viver nesta sociedade, um rumo será necessário, metas deverão ser traçadas, sonhos e objetivos terão que ser retirados da gaveta. Tudo isso para alcançar algo que está no futuro.

No caminho mundano, você será movido pela insatisfação, pelo desejo e pelo piloto automático instalado em seu cérebro. Identificado com este mundo, você não viverá o agora nem o hoje, mas estará sempre focado em direção ao amanhã! Este amanhã nunca chega…

Estará tão louco tentando preencher um poço interminável de desejos, sentindo saudades do ontem que agora parece ser uma realidade mais tranquila.

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Ainda não tenho clareza! Se a alma não existe, o espírito também não. Se eu não sou, quem está reencarnando? Disseram-me que já vivi três vidas, numa eu era um discípulo de Buda, na outra era Napoleão Bonaparte e na última era uma Judia no campo de Aushwitz. Pode falar de minhas outras vidas? Qual é minha missão nesta vida?

Resposta do Siddhartha

A existência é energia pura em movimento, ela é como água.
Cada ser vivo consiste de duas partes: A energia visível materializada no estado físico e o denominado “Spiritus” – a energia invisível que o movimenta – ambas são biodegradáveis, ou seja, voltam à natureza e se regeneram em outras formas de vida.
Na hora em que um ser vivo completou seu ciclo na Terra, seu estado de presença física entra em decomposição e as moléculas que o compõem se espalharão ao redor. Estando, assim, disponíveis para novas vidas.
Algumas das moléculas que compõem seu corpo físico, por exemplo, poderiam ser de uma barata. Simultaneamente, as moléculas que compõem o “Spiritus” voltam à natureza, disponíveis para animar outros seres que virão. Nada é permanente, tudo se transforma, se regenera, se recicla.

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O que te aconselho fazer?!
Nada!!! … …
Terapias, limpezas emocionais e mentais podem até ser úteis, mas sem meditação, UM corre o risco de se perder no submundo da vítima e nunca estar pronto para sair dele.

Terapia não passa de “gozo”, algo periférico. Meditação é “orgasmo”, algo profundo.

Terapia sem meditação a nada serve. Meditação sem terapia é completa.

Eu vos digo: “Meditem, e logo verão aquilo que é ou não é real!”

Não perca tempo tentando chegar ao ponto certo para começar a praticar.

Esta é a hora, este é o momento certo, você está maduro como uma fruta que espera ser colhida.
A hora é agora!

Respostas as Perguntas Delphis – 2008
Meditação – O Caminho do Despertar

O enfoque da prática da meditação não é alcançar nem o paraíso nem o inferno, mas celebrar a neutralidade do aqui e agora.

Se sentar buscando um estado de graça, pode viajar em um dos milhões de pensamentos e alcançar aquilo que defi ne de “paz” ou, dependendo da atividade mental naquele momento, poderá encontrar-se no abismo do inferno.

Nenhum destes estados é verdadeiro.

Os pensamentos em si são paraíso e inferno. Meditação não é nem um nem outro.

Hoje em dia, a vida é tão caótica e a presença de pensamentos, cada vez mais intensos, que para um meditador, no começo de sua caminhada, é uma cruzada distinguir o que é real do que não é!

Por isso, criei técnicas ativas para os nossos tempos. Elas são repletas de movimentos e auxiliam a cansar a mente e o corpo para permanecerem sentados, apenas por quinze minutos.

Com a prática diária, a técnica escolhida irá penetrar no corpo, mente e espírito impregnando-os, até que a sua natureza possa voltar a governar.

Entenda que, desde a recriação do ego nessa existência, a mente tornou-se soberana absoluta do reino de seu existir aqui. Portanto, quando se dedicar à prática de uma técnica, a mente lutará com todas as suas forças para não perder o controle. Interferirá na sua prática, na sua técnica…

Por isso vos digo: Não desistam!

Querida, toda frustração é um estado mental. Você criou uma expectativa, uma idéia e isto não acontece como esperado. Portanto, sente-se incomodada, frustrada, fica com raiva.
É uma luta contínua. Onde há mente não há paz, mas guerra e preparação para outras guerras. O que fazer?

Experimente uma de minhas técnicas diariamente. Não busque a paz… Apenas seja total. Poderá ter dias mais calmos outros mais agitados, mas isso também é natural.
Viveu a vida toda nessa loucura, não há como acabar com isso em uma hora. Depois de algum tempo, verá que terá muito mais tranquilidade.

Discursos em Palolem, Índia – 2013

Meditação – O Caminho do Despertar

No passado, este foi o enfoque da vida espiritual, ela foi mais fuga do que entrega. O princípio da Delphis não é a vida espiritual, mas a vida além do espírito.

Entendam que não estou lhes dizendo de renunciar ao mundo! Ao contrário, este mundo é real mesmo que a humanidade está num coma profundo. Continua sendo sua realidade, e para viver no dia de hoje é necessário viver nisto tudo.

Digo-lhes: abandonem seu passado, sua religião, suas crenças… Para que a vida possa lhes acontecer.
Estou lhes dizendo: morram e renasçam até que há tempo.
Estou lhes dizendo: vivam no mundo, mas não sejam parte dele! Não sejam parte do sonho.

A iniciação não é um convite à renúncia, mas ao despertar. Se houver coisas que nas quais agia de maneira automática, deixe-as ir e siga seu caminho.

Respostas as perguntas Delphis – 2007
Meditação – O Caminho do Despertar

Quando falo “Esteja aberto!” quero dizer: “Seja receptivo às dádivas do universo do amor, no qual você existe”.
Permita que a existência flua através de você, deixe-a tomar conta de seu corpo e dance nesta energia.
Seja como o gavião, que no céu, se entrega, confia, curte o vôo e ao mesmo tempo tem uma visão clara de tudo que está ao seu redor. Curta cada momento, deixe a vida acontecer, esteja aberto às mudanças, ao seu crescimento, a novos desafios, medite e esteja atento! Viva cada momento como se fosse o último, viva tudo como uma novidade.

Não deixe nada para depois! Abra o seu coração para o novo, não tenha medo, não tente controlar… não há como controlar sua existência! Sem couraças, abra-se para a plenitude consigo mesmo e com a vida. Não seja rígido independentemente, se algo está indo contra a sua formação ou suas crenças.

Não julgue aquilo que não saboreou, ao contrário experimente-o! Como pode saber o que é salgado, se ainda não experimentou o sabor do sal?

Respostas a perguntas – O Caminho 2005
Oráculo dos Caminhos

Amada Sanjiita, a humanidade toda deixou de respirar naturalmente! Tornando-se caótica e estressada!

Observe um recém-nascido e verá que na origem a respiração acontece a partir do abdômen e não pelos pulmões.

Quando recebemos as primeiras instruções e regras para começar a ser algo que não somos, a respiração trava e torna-se superficial. Ou seja, sobe para os pulmões. Estes, na verdade, são filtros do ar, mas a bomba que impulsiona o ar para o organismo é o abdômen.

Em seu estado natural o abdômen é o centro de sua energia vital desde o útero materno. Quanto mais a respiração retorna à sua naturalidade, mais relaxada a pessoa se torna, mais plena ela é em seu existir…

O corpo é um mecanismo assim como um automóvel e este não funciona direito quando uma peça está faltando ou não está sendo usada de maneira correta.

Há quarenta anos, experimentei minha primeira técnica de meditação e estas enfocam na respiração para podermos nos tornar presentes. Desde então, muita água passou por baixo da ponte e, aos poucos, com consciência na respiração ela deixou de acontecer de maneira superficial e voltou para o abdômen.

Na verdade toda a alquimia consiste em perder o controle e a rigidez que o ser humano adquiriu sobre o corpo e a desidentificação do mesmo faz que este funcione de maneira totalmente autônoma… Voltando à sua origem.

A respiração focada apenas no pulmão gera ansiedade, estresse, pânico e muitos outros efeitos colaterais.
A respiração íntegra traz de volta ao aconchego e tranquilidade do útero materno.

Ao voltar para uma respiração plena os pulmões não deixam de cumprir a sua função, mas estão trabalhando mais harmoniosamente sem estarem sobrecarregados.

Meu convite é para a prática da meditação! Pratique todos os dias e, aos poucos, sem ter que fazer nada, vai presenciando seu corpo, observando a sua respiração e verá que tudo voltará à sua naturalidade novamente.

Quando digo observe a respiração, não lhes digo de interferir ou mudar seu jeito de respirar, mas é um convite à passividade, estar apenas presente utilizando o veiculo do ar que entra e sai naturalmente de seu corpo como maneira de estar presente…

Resposta a pergunta online Novembro 2016
Assista esta resposta de Siddhartha em vídeo, sobre a respiração na barriga:

Amado Alcione, a humanidade está louca sim… Longe de sua realidade original. Todos estão correndo atrás de uma ilusão!

Quando chegamos neste planeta, chegamos sem nem sequer um tostão no bolso, mas dinheiro é exatamente o que move esta sociedade. Todos estão freneticamente famintos por pedaços de papel. Todos dispostos a qualquer loucura!

Para viver nesta sociedade, um rumo será necessário, metas deverão ser traçadas, sonhos e objetivos terão que ser retirados da gaveta. Tudo isso para alcançar algo que está no futuro.

No caminho mundano, você será movido pela insatisfação, pelo desejo e pelo piloto automático instalado em seu cérebro. Identificado com este mundo, você não viverá o agora nem o hoje, mas estará sempre focado em direção ao amanhã! Este amanhã nunca chega…

Estará tão louco tentando preencher um poço interminável de desejos, sentindo saudades do ontem que agora parece ser uma realidade mais tranquila.

No caminho da meditação UM é movido pela sensação de estar preso. Assim como um leão numa jaula escuta à sua natureza o chamar para fugir do espaço limitado e voltar à natureza selvagem. Algo no teu mais íntimo pede socorro…

Qualquer ser sensível se tornará um rebelde perante este sistema de vida artificial. Buscará algo que lhe dê liberdade e não escravidão!
O caminho da meditação é para corajosos que desafiam os seus limites e se abrem à tranquilidade da incerteza que a existência propõe.

Não vos digo de renunciar a este mundo, digo ame o mundo, viva nele totalmente, mas não seja parte dele. Não se acomode nesta ilusão. Abra-se para a sua verdade.

A escolha é sua… Trilhar o caminho da meditação movido pela sua natureza ou se acomodar na ilusão movido pela ilusão…

Resposta a pergunta online Dezembro 2016

Querida Vanderleia, agradeço a tua pergunta que primeiramente me toca pela coragem e confiança.
Em certos aspectos reflete uma parte de minha caminhada…
Cresci entre a Inglaterra e a Itália, sendo filho de pais italianos. Não fui incentivado a ir para a igreja pelos meus pais que mesmo católicos não costumavam frequentar.

Mas, a partir dos meus sete anos de vida já estava atrás de algo e não tinha a menor ideia do que fosse.
Era um chamado interno, de liberdade, de descoberta, na verdade, de algo que naquele tempo ainda estava pouco claro para mim.

Movido por esta sensação que era mais forte do que minha mente cheguei até a igreja católica, que foi meu primeiro lugar de busca. Passava por lá diariamente, era um dos coroinhas do padre Don Nellusco Carretti e atendia diariamente a missas ao seu lado, aliás virei quase a sombra deste homem lindo.

Minha sede era tão grande que repetidamente estaria fazendo perguntas a ele e tentando encontrar respostas para o vazio que sentia dentro. Mas, nunca consegui preencher este vazio lá e as respostas que recebia não satisfaziam minha sede.

No dia do enterro da mãe de Don Nellusco, o Bispo Artêmio Prati me chamou e me disse que o seu sonho era me ver frequentando o seminário e que já via meu caminho no sacerdócio. Neste momento parei para sentir melhor o que eu queria para minha vida e um ano depois deixei a igreja para seguir meu caminho.

Saí pelo mundo, viajei pelos cinco continentes e aonde botava o pé minha busca continuava. Não importava onde estaria e o que estaria fazendo alguma coisa continuava não estando certo, sempre faltava algo.

O vazio em mim era maior de tudo que experimentei e, portanto, a minha busca continuou. Juntei-me a evangélicos, budistas de diversas linhas, experimentei hinduismo, segui vários mestres, mas tudo isso não resolveu nada para mim.

A questão de mudar de uma religião para outra, mesmo que as suas concepções de deus fossem diferentes, para mim sempre senti como algo superficial.
Queria a essência do que Jesus ensinou, a essência do que Buda ensinou, mas não uma religião criada depois que estes seres lindos já haviam deixado o planeta.

Após muito tempo chegou a hora em que encontrei a prática da meditação ativa, algo que foi um trampolim em minha vida. A partir deste momento comecei a curtir a vida neste planeta sem querer desvendar os mistérios, mas agradecido por esta forma de vida que experimento aqui e agora.

Busquei por anos algo para fora e ao abrir os olhos me dei conta de que aquilo que busquei, desesperadamente, sempre esteve aqui diante de meus olhos.

Pela minha experiência posso te dizer que a verdade que tanto buscamos está contida na religiosidade e não na religião. A verdade está contida no sabor da vida de uma forma natural como todas as outras formas viventes neste planeta vivem. Não em uma forma artificial e automática de existir.
Jesus chamava os que vivem o mundo de embriagados, mortos, cegos… Buda de Tolos, mas eram apenas metáforas para compreender que a vida existe além da crença de ser algo ou alguém.

O ser humano acredita ser superior, mas na verdade é apenas um pequeno fragmento disso tudo. A natureza vive muito bem sem a presença do homem, aliás, vive muito melhor! Mas o homem sem a natureza nem existiria….

O Caminho que indico é do retorno à nossa natureza. Esta natureza que é seu estado de graça original assim como um recém-nascido ao chegar ao mundo é banhado por este espaço de beleza, serenidade e paz.

Este espaço não morreu, continua vivo em cada um, como o sol atrás das nuvens não apaga está apenas encoberto e esquecido. Quando a saudade do sol toma conta nos lembramos de que ele existe, mas não o vemos. Assim é a sua natureza, esquecida atrás das nuvens do seu ego, mas jamais se apagou. Nesta natureza está contido tudo aquilo que palavras não conseguem expressar.

Este espaço é a meditação. A prática que ensino é apenas uma ferramenta para chegar lá, pois meditação é seu estado primordial de ser.
A meditação acontece além das crenças, além de qualquer religião, além dos limites da alma, além de tudo aquilo que conseguimos tocar com mão.

Vanderléia, não faz parte de minha natureza te dizer o que deve ou não deve fazer, simplesmente posso compartilhar com você a minha experiência, e lhe dizer que para mim a prática da meditação foi o que me tirou da embriaguez do mundo, me deu olhos para enxergar, me levantou do túmulo onde mesmo vivo estava morto.

Se quiser experimentar o caminho que ofereço está bem-vinda!

A existência é energia pura em movimento, ela é como água.
Cada ser vivo consiste de duas partes: A energia visível materializada no estado físico e o denominado “Spiritus” – a energia invisível que o movimenta – ambas são biodegradáveis, ou seja, voltam à natureza e se regeneram em outras formas de vida.
Na hora em que um ser vivo completou seu ciclo na Terra, seu estado de presença física entra em decomposição e as moléculas que o compõem se espalharão ao redor. Estando, assim, disponíveis para novas vidas.
Algumas das moléculas que compõem seu corpo físico, por exemplo, poderiam ser de uma barata. Simultaneamente, as moléculas que compõem o “Spiritus” voltam à natureza, disponíveis para animar outros seres que virão. Nada é permanente, tudo se transforma, se regenera, se recicla.
Para entender melhor o que estou lhe dizendo, faça de conta que você é composto 100% de água. Ao nascer a água se juntou em duas partes, que deram forma ao seu corpo físico e “Spiritus”. Nesta forma de vida inconscientemente, começa a acreditar ser esta pessoa que vê no espelho e aprende tudo o que já aprendeu.
Quando a crença torna-se forte sufi ciente é como se ela congelasse em uma garrafa dando uma forma a que conhecemos como alma.
Ao morrer, as duas partes se separam. Pelas leis da natureza, esta água deveria voltar ao rio novamente, onde se misturaria com a outra água perdendo forma. Mas isso acontecerá, apenas, com a parte física, ao contrário da alma cristalizada na garrafa de água congelada que, ao cair no rio, permanece intacta, mesmo se a água descongelar ela estará sempre limitada à garrafa.
Portanto, quando a hora chegar, esta água voltará nesta mesma forma e viverá mais uma vez como ser humano.
A energia que compõe este “Spiritus” deixou de fazer parte da ordem natural da existência e retorna para viver mais uma vida.
A idéia da prática de meditação não é, apenas, a de descongelar a água, mas a de quebrar o encanto da garrafa. A garrafa é a crença cristalizada, ela é o EU, o ego, a alma. Uma vez derretida a crença, a água que fi cou presa nela por vidas poderá, novamente, se reintegrar no rio, no lago, no oceano.
Meu enfoque é: Esta vida! A vida antes da morte!

O aqui e agora já é sufi ciente para trabalharmos juntos, rumo à libertação de uma eterna escravidão.
Se perder tempo analisando ou tentando lembrar e entender outras vidas mortas, seria apenas adiar sua liberdade.
O que importa quem era e o que fez em vidas anteriores a esta?
As missões que crê ter são meras ilusões que carrega. Karma que criou a partir de seus desejos em outras existências.
Esqueça qualquer missão. Deixe cair a idéia de que seja um enviado de deus.
Pare de sonhar…
Venha para a realidade.

O orgulho pode ser visto como uma atitude positiva ou como negativa, dependendo das circunstâncias. Ela se molda da maneira que mais lhe convém. Assim, o termo orgulho pode ser empregado tanto como sinônimo de soberba e arrogância, quanto para indicar dignidade.
Para compreender o orgulho é necessário que, primeiro, se compreenda o ego, porque um é condição natural de ser e o outro produto da sociedade que tomou o seu lugar.
Quando você nasceu, veio ao mundo sem conhecimento nenhum, sem consciência do seu EU. A primeira coisa da qual você se tornou consciente quando nasceu não foi de você mesmo, mas sim, do outro. Seus olhos se abriram para o mundo afora, suas mãos alcançaram os outros, seus ouvidos escutaram as vozes e barulhos externos, todos os seus cinco sentidos estavam direcionados para o mundo exterior. Nascimento signifi ca vir para fora, adentrar este mundo.
Assim, quando você veio ao mundo, entrou na dimensão externa. Ao abrir os teus olhos, pela primeira vez, você viu ao seu redor as fi guras mais diversifi cadas. Figuras que chamaram a tua atenção. Para você, naquele instante isto era vida.
Primeiro, se tornou consciente da fi gura da “MÃE”, em seguida dos outros corpos ao seu redor. Somente depois de algum tempo, se tornou consciente do corpo no qual existia tua vida.
Todos estes corpos que você percebeu, pertencem ao “mundo” e é desta maneira que toda criança cresce. Ela está com fome, começa a sentir o próprio corpo, quando sua necessidade é satisfeita, ela o esquece. Ela não está identifi cada com o corpo. Primeiro, se tornou consciente do outro, e então, aos poucos se tornou consciente de si mesma.
Essa consciência não é real, mas uma consciência refl etida, imposta. Você não tinha idéia de quem era. Estava consciente da mãe, do espaço em que se encontrava, dos seus parentes e daquilo que todos pensavam a respeito de você.

Quando uma mãe sorri, quando ela aprecia a criança, quando ela a elogia, quando lhe faz carinho a criança se sente bem a respeito de si mesma. Neste sentir-se bem em relação a algo, uma faceta do ego começa a nascer. Através destes gestos de apreciação, ela percebe que é boa, ela percebe que tem certo valor, ela sente que tem importância.
Uma identidade começou a nascer. Esta identidade não é a sua verdadeira essência. Ela não sabe quem ela é, simplesmente, percebe aquilo que os outros pensam a respeito dela, aquilo que eles demonstram. A criança não precisa saber quem ela é, senão, teria nascido com um espelho no bolso!
O ego é o refl exo daquilo que os outros pensam a respeito dela. Este ego começa a existir quando a criança se identifi ca com aquilo que os outros pensam, exigem e querem dela.
Portanto, mesmo que ninguém a aprecie, ninguém lhe faça cara mansa ou a elogie, o ego nasce da mesma maneira. Talvez, este ego seja triste, doente, ou rejeitado. Talvez, este ego seja como uma chaga que nunca sara. Envolvida neste ego, a criança sente-se inferior, desvalorizada, excluída, esquecida… Nasce uma Identidade. Esta identidade também começa a existir quando a criança se identifi cou com aquilo que os outros pensam dela, não é a sua verdadeira essência, mas um refl exo. Não é a sua essência, mas o ego.
No início, a fi gura materna signifi ca o mundo. Aos poucos, os outros se juntarão a ela, e seu mundo irá crescendo. Quanto mais este mundo cresce, mais complexo se tornará o ego. Quanto mais pessoas fazem parte de seu mundo, mais opiniões lhe serão refl etidas. O ego é um fenômeno acumulativo, nasce, vive e cresce a partir do viver com o outro.
No caminho do despertar o ego tornou-se uma necessidade. Todos devem passar por ele, pois a verdade só poderá ser alcançada se UM viveu na ilusão. Não poderá reconhecer a verdade diretamente.
Primeiro, tem que se perder naquilo que não é verdadeiro, senão, não terá condições de distinguir um do outro. Somente através do ego, o buscador é capaz de procurar a verdade. Uma vez que você reconhece o falso como falso, então, a verdade aparecerá perante você.
O ego é uma necessidade social. É um produto da sociedade. Quando falo em “sociedade” me refi ro ao mundo artifi cial que está ao seu redor, você não faz parte dela, mesmo se ela está presente em tudo àquilo que faz parte da sua vida. Tudo, menos a natureza, faz parte da sociedade. Todas as pessoas refl etem a sociedade. Nas escolas, por exemplo, professores são o refl exo de quem você acabou se tornando, te moldando de maneira que você se torne ainda melhor, perfeito.
Todos estão acrescentando algo ao seu ego. Todos estão tentando te modifi car, de maneira que você não seja um perigo para a sociedade.
O orgulho é um fenômeno totalmente diferente. É totalmente natural. Faz parte da natureza. Se você olhar uma onça deitada na selva verá no seu ar, um ar de orgulho, de graça, de dignidade. Até o vôo de um urubu tem uma graça. A natureza é ausente de ego, mas repleta de orgulho. Tudo é assim como é. Nada depende de uma opinião para ser, simplesmente é. A dignidade é a essência de seu ser, brota da alma de sua alma. Isto é algo extremamente sutil, mas existencialmente religioso.
Os santos renunciam à vida, à liberdade de si mesmos. O ego se torna santo: o mundo está contente!
Na verdade, o ego apenas encontrou uma nova face: uma face sagrada. Toda religião está mascarando seu ego de anjo, para que você possa sentir-se são, enquadrado na sociedade que acredita.
Todas as religiões pedem que você deixe de ser orgulhoso, que você deixe de ser egoísta, elas te incentivam a ser humilde. Os religiosos são muito humildes. Na religião, ego e orgulho se tornaram sinônimos.
No caminho da verdade, é necessário ir além dessas limitações da sociedade, dos limites adquiridos pelo próprio ego e, mais uma vez, se tornar criança.
Um espaço que só poderá ser tocado a partir da coragem, do orgulho, da dignidade. Somente o orgulho intocado pelo ego é a natureza da vida.
É necessario muita coragem para adentrar os caminhos nunca trilhados, assim como, uma criança intocada começa a descobrir o desconhecido na vida.
Somente os que tiverem coragem serão abençoados pela existência mais uma vez.