Pergunte ao Siddhartha

Sou católica, sirvo na igreja, participo de um grupo de oração da renovação carismática católica…. Sou temente a Deus, mas não aceito ou não entendo muitas coisas na minha vida… Parece que sempre tá faltando alguma coisa… Tenho muitas perguntas dentro de mim sem respostas…O que devo fazer?

Resposta do Siddhartha

Querida Vanderleia, agradeço a tua pergunta que primeiramente me toca pela coragem e confiança.
Em certos aspectos reflete uma parte de minha caminhada…
Cresci entre a Inglaterra e a Itália, sendo filho de pais italianos. Não fui incentivado a ir para a igreja pelos meus pais que mesmo católicos não costumavam frequentar.

Mas, a partir dos meus sete anos de vida já estava atrás de algo e não tinha a menor ideia do que fosse.
Era um chamado interno, de liberdade, de descoberta, na verdade, de algo que naquele tempo ainda estava pouco claro para mim.

Movido por esta sensação que era mais forte do que minha mente cheguei até a igreja católica, que foi meu primeiro lugar de busca. Passava por lá diariamente, era um dos coroinhas do padre Don Nellusco Carretti e atendia diariamente a missas ao seu lado, aliás virei quase a sombra deste homem lindo.

Minha sede era tão grande que repetidamente estaria fazendo perguntas a ele e tentando encontrar respostas para o vazio que sentia dentro. Mas, nunca consegui preencher este vazio lá e as respostas que recebia não satisfaziam minha sede.

No dia do enterro da mãe de Don Nellusco, o Bispo Artêmio Prati me chamou e me disse que o seu sonho era me ver frequentando o seminário e que já via meu caminho no sacerdócio. Neste momento parei para sentir melhor o que eu queria para minha vida e um ano depois deixei a igreja para seguir meu caminho.

Saí pelo mundo, viajei pelos cinco continentes e aonde botava o pé minha busca continuava. Não importava onde estaria e o que estaria fazendo alguma coisa continuava não estando certo, sempre faltava algo.

O vazio em mim era maior de tudo que experimentei e, portanto, a minha busca continuou. Juntei-me a evangélicos, budistas de diversas linhas, experimentei hinduismo, segui vários mestres, mas tudo isso não resolveu nada para mim.

A questão de mudar de uma religião para outra, mesmo que as suas concepções de deus fossem diferentes, para mim sempre senti como algo superficial.
Queria a essência do que Jesus ensinou, a essência do que Buda ensinou, mas não uma religião criada depois que estes seres lindos já haviam deixado o planeta.

Após muito tempo chegou a hora em que encontrei a prática da meditação ativa, algo que foi um trampolim em minha vida. A partir deste momento comecei a curtir a vida neste planeta sem querer desvendar os mistérios, mas agradecido por esta forma de vida que experimento aqui e agora.

Busquei por anos algo para fora e ao abrir os olhos me dei conta de que aquilo que busquei, desesperadamente, sempre esteve aqui diante de meus olhos.

Pela minha experiência posso te dizer que a verdade que tanto buscamos está contida na religiosidade e não na religião. A verdade está contida no sabor da vida de uma forma natural como todas as outras formas viventes neste planeta vivem. Não em uma forma artificial e automática de existir.
Jesus chamava os que vivem o mundo de embriagados, mortos, cegos… Buda de Tolos, mas eram apenas metáforas para compreender que a vida existe além da crença de ser algo ou alguém.

O ser humano acredita ser superior, mas na verdade é apenas um pequeno fragmento disso tudo. A natureza vive muito bem sem a presença do homem, aliás, vive muito melhor! Mas o homem sem a natureza nem existiria….

O Caminho que indico é do retorno à nossa natureza. Esta natureza que é seu estado de graça original assim como um recém-nascido ao chegar ao mundo é banhado por este espaço de beleza, serenidade e paz.

Este espaço não morreu, continua vivo em cada um, como o sol atrás das nuvens não apaga está apenas encoberto e esquecido. Quando a saudade do sol toma conta nos lembramos de que ele existe, mas não o vemos. Assim é a sua natureza, esquecida atrás das nuvens do seu ego, mas jamais se apagou. Nesta natureza está contido tudo aquilo que palavras não conseguem expressar.

Este espaço é a meditação. A prática que ensino é apenas uma ferramenta para chegar lá, pois meditação é seu estado primordial de ser.
A meditação acontece além das crenças, além de qualquer religião, além dos limites da alma, além de tudo aquilo que conseguimos tocar com mão.

Vanderléia, não faz parte de minha natureza te dizer o que deve ou não deve fazer, simplesmente posso compartilhar com você a minha experiência, e lhe dizer que para mim a prática da meditação foi o que me tirou da embriaguez do mundo, me deu olhos para enxergar, me levantou do túmulo onde mesmo vivo estava morto.

Se quiser experimentar o caminho que ofereço está bem-vinda!

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